Publicado por: JPP | 30/07/2011

PARA A HISTÓRIA DO ESPERANTO EM PORTUGAL: CARTA MANUSCRITA DE E. LANTI (1936)

ACTUALIZAÇÃO

Este livro de Eugene  Lanti (1879-1947) contem manuscrita uma carta a um seu camarada esperantista português, datada de Lisboa, 16 de Setembro de 1936. Corresponde ao longe périplo por vários países que Lanti faz para divulgar o esperanto e as suas posições politicas, após a ruptura com o PCF, que ajudou a fundar, e com a organização esperantista ligada à III Internacional que dirigiu. Lanti tornou-se um crítico do estalinismo e esta publicação (feita pela revista Herezulo que fundou) é um exemplo dessa posição. Lanti acabou a sua longa viagem no México, onde se suicidou.

Embora tenha algum conhecimento de esperanto, que adquiri quando dos livros que publiquei sobre a história do movimento operário português, pretendi que esta carta fosse traduzida em português, mas todos os contactos com a Associação Portuguesa de Esperanto resultaram infrutíferos.

PS. – Posteriormente recebi de um leitor “Bruno”, uma tradução do texto que reproduzo a seguir. Outro leitor João José Santos ofereceu-se igualmente para apoiar as traduções do esperanto, o que muito agradeço.

(na horizontal)

Lisboa, 16 de Setembro de 1936

Caro camarada,

Agradeço-lhe a sua carta.
Entretanto, soube que um navio sueco chega a Lisboa a 6 de Outubro e parte para Kobe, onde chega a 18 de Novembro. Decidi utilizar este barco para ir ao Japão.
Como não tenho o prazer de conhecê-lo pessoalmente quero, pelo menos, deixar-lhe uma lembrança; por isso, envio-lhe de oferta este livrinho.
Após a sua leitura, talvez pense que as gazetas reacionárias, também burguesas, narram de forma pouco favorável a situação na União Soviética e por isso?… A isso respondo: o maior crime de Estaline é que, pelos seus actos, pela sua tirania, compromete o comunismo. Os reaccionários misturam, hipocritamente, o comunismo com o estalinismo, ainda que ambos ismos nada tenham em comum.

(na vertical)

As últimas ocorrências em Moscovo são suficientes para dar razão, para confirmar, o conteúdo desta pequena obra. O facto dos velhos pioneiros do partido bolchevique estarem mortos ou presos por ordem de Estaline, prova da forma mais evidente que ele é ainda mais cruel e sem coração do que o czar…


Anacionalisticamente e fraternalmente
E. Lanti


Respostas

  1. Ex.mo Sr. José Pacheco Pereira:

    Sou um esperantista português. Ensino, escrevo, edito, e publico uma revista cultural internacional em esperanto, La Karavelo: http://www.lakaravelo.com

    Casualmente dei com o seu blogue.
    As queixas implícitas que faz à Associação Portuguesa de Esperanto infelizmente não me admiram.
    Há associações que não têm sede, esta é uma sede cuja associação está em estado de coma pela falta de ação da direção.

    Envie para o meu e-mail o que desejar que eu traduza de esperanto para português, desde que não seja muita coisa.

    Cumprimentos.

    João José Santos

  2. (na vertical)
    As últimas ocorrências em Moscovo são suficientes para dar razão, para confirmar, o conteúdo desta pequena obra. O facto dos velhos pioneiros do partido bolchevique estarem mortos ou presos por ordem de Estaline, prova da forma mais evidente que ele é ainda mais cruel e sem coração do que o czar…
    Anacionalisticamente e fraternalmente
    E. Lanti

  3. (na horizontal)

    Lisboa, 16 de Setembro de 1936

    Caro camarada,

    Agradeço-lhe a sua carta.
    Entretanto, soube que um navio sueco chega a Lisboa a 6 de Outubro e parte para Kobe, onde chega a 18 de Novembro. Decidi utilizar este barco para ir ao Japão.
    Como não tenho o prazer de conhecê-lo pessoalmente quero, pelo menos, deixar-lhe uma lembrança; por isso, envio-lhe de oferta este livrinho.
    Após a sua leitura, talvez pense que as gazetas reacionárias, também burguesas, narram de forma pouco favorável a situação na União Soviética e por isso?…
    A isso respondo: o maior crime de Estaline é que, pelos seus actos, pela sua tirania, compromete o comunismo.
    Os reaccionários misturam, hipocritamente, o comunismo com o estalinismo, ainda que ambos ismos nada tenham em comum.


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